Uma abordagem da função pastoral

Os batistas celebram várias comemorações anuais. Dia das mães, Educação (Cristã e Teológica e Feminina), Dia da Bíblia, e por aí vai. Só não celebramos (ainda), o dia da sogra. Temos também o “dia do pastor”, celebrado domingo passado. Tenho certeza que muitos genros e noras, adotados pela sogra como se fossem filhos, desejariam celebrá-lo.

A função pastoral como a tem hoje, teve início com a reforma. Ninguém discute seu respaldo bíblico. No Novo Testamento há recomendações de como deve ser a função pastoral, mas eram dias de costumes bem diferentes dos nossos. Na idade média o sacerdote católico era um “resolve tudo”, e as comunidades que compunham as igrejas reformadas não poderiam deixar seus seguidores desguarnecidos. Na Reforma Protestante a Bíblia foi aberta novamente (era fechada aos leigos), para estabelecer os parâmetros das funções mencionadas no Novo Testamento. Pastores, diáconos, presbíteros, anciãos, foram reconduzidos a tais funções para atenderem as necessidades, particularmente espirituais, dos membros das igrejas reformadas.

Em 1ª Timóteo 5, temos as orientações que Paulo passa ao seu discípulo Timóteo, para que este passe essas recomendações aos pastores. Como os costumes da Idade média eram diferentes da época apostólica, houve certo acomodamento. O pastor da época reformista deveria ser profundo na interpretação e vivência das Escrituras, e versado na doutrina. Notável a lembrança que “cuidar de si mesmo”, vem em primeiro lugar.

O cuidar de si mesmo é inesgotável. De nada adianta ser considerado um santo (embora seja muito discutível que alguém alcance santidade seguindo heresias), e crer e ensinar doutrina errada. Discernimento será raro nos dias que antecederem a volta de Cristo, e um dos fortes indícios de que ela está próxima é a falta de discernimento dos cristãos de hoje. Paulo afirma isso ao discípulo Timóteo.

O pastor dos nossos dias sofre a atração de dois polos antagônicos. Se divide o ministério corre risco de tornar-se prepotente, se exerce ministério integral corre o risco de tornar-se presa de lideranças torpes. O leigo, no exercício de sua profissão, se descobre uma empresa que lhe pague melhor, ou o distinga com um cargo mais elevado, é aplaudido se muda de emprego. O pastor não pode olhar cobiçosamente para uma igreja maior.  Hoje, a palavra maior está intimamente ligada ao contexto numérico. Então é tentado a “fazer qualquer negócio” para que a igreja cresça, em termos numéricos.

A partir da Reforma Protestante, o mundo passou por várias transformações. Saímos da moral agrícola para a industrial. Da industrial para a tecnológica. Daí foi para a era moderna, pós-moderna, humana, pós-humana. Surgiram as megalópoles. Agricultores ingênuos foram incluídos na vivência com aproveitadores. Estudiosos protestantes procuraram métodos adequados para alcançarem as almas perdidas, na maioria das vezes o princípio bíblico foi sacrificado para atender os métodos.

O humano passou ser visto como existência, não como essência. Eu sou o quê? Aquilo que eu escolher ser, é a resposta da sociedade atual. O humano, sendo livre para escolher, vai escolher o quê? O mal, claro. Ele é um decaído. Fomos despersonalizados, principalmente os pastores. “É muito raro um membro de igreja dizer: “Falei com o pastor fulano”, não, ele diz; falei com o pastor”. Outros profissionais tem nome, pastor nem tem mais nome. Isso é a sociedade atual. Ela elimina figuras que lhe tragam lembranças desconfortáveis. Por outro lado, os pastores sentem-se ameaçados de todos os lados. Perdem o pastorado por motivos fúteis, e essa vivência ameaçadora torna-se sombra constante. Um pastor decidiu pelo pastorado em meio a uma carreira próspera. Assumiu pequena igreja, e levou-a, após 25 anos de pastorado, a crescer, construir um lindo templo, alcançar estrutura sólida. Apoiou um jovem da igreja a preparar-se para o ministério. Passou-lhe o cajado. Hoje, quando visita a igreja, é como naquela piada antiga: Não é convidado nem para uma oração silenciosa. Jamais vi uma aposentadoria mais nostálgica do que a aposentadoria pastoral. Sem dinheiro, sem filhos bem  sucedidos profissionalmente (não pode custear escolas caras), sem casa para morar, pois usavam as casas das igrejas onde pastoreou,  aposentadoria pequena, sem condições de pagar um plano de saúde razoável, eis o quadro.

Agora a recomendação paulina é reconhecida. Cuida de ti mesmo. É preciso preparar-se para ficar acima das mudanças das filosofias que conquistam as massas. Preparar a esposa, os filhos e netos, para uma blindagem protetora da insensibilidade que atinge a sociedade de cada época. Aos apóstolos Cristo recomendou: “Cuidem do fermento dos fariseus”. Aos pastores recomendo: Cuidem de sua interioridade. Ela pode ser afetada pelo ambiente existencialista de nossos dias, onde o deleite vale mais que a virtude.

Manoel de Jesus, Pastor e colaborador de OJB (Jornal Batista digital)

Domingo 10/06/2012.

Entre os pastores que deixaram o pastorado antes dos 65 anos

Top 5 respostas: Por que você deixou o pastorado?

Por que você deixou o pastorado

Nota: Os pesquisados poderiam responder “todas as respostas se aplicam”.

Centenas de ex-pastores mais antigos dizem que estes eram os elementos cruciais desaparecidas das igrejas finais que levavam antes de sair do pastorado.

Um estudo recente da LifeWay Research aponta que formas de igrejas pode encorajar os pastores a permanecer no ministério, disse Ed Stetzer, diretor executivo da organização de pesquisa sediada em Nashville.

“Quase metade das pessoas que deixou o pastorado disseram que sua igreja não estava fazendo qualquer um dos tipos de coisas que poderiam ajudar”, disse Stetzer. “Ter documentos claros, oferecendo um descanso sabático, e ter pessoas para ajudar com casos de aconselhamento de peso são coisas importantes que devem estar no lugar.”

LifeWay Research entrevistou 734 ex-pastores seniores que deixaram o pastorado antes da idade da reforma em quatro denominações protestantes.

O problema começa cedo, a pesquisa indica, com 48 por cento dos ex-pastores dizendo que a equipe de pesquisa não descrever com precisão a igreja antes da sua chegada.

Suas igrejas não eram susceptíveis de ter uma lista de conselheiros para as referências (27 por cento), a documentação clara das expectativas da igreja do seu pastor (22 por cento), um plano sabático para o pastor (12 por cento), um ministério de aconselhamento leigo (9 por cento) , ou um grupo de apoio para a família do pastor (8 por cento). Quarenta e oito por cento dizem que sua igreja não tinha nenhuma delas.

A maioria espera conflitos a surgir, e fez 56 por cento discordarem sobre mudanças propostas, e 54 por cento dizem que experimentou um ataque pessoal significativo. No entanto, quase metade (48 por cento) dizem que a sua formação não prepará-los para lidar com o lado humano do ministério.

“Muitos programas de seminário nem sequer exigem cursos específicos que estão focados em teologia, línguas bíblicas, e pregação, que são importantes, mas quase metade dos pastores sentia despreparo para lidar com as pessoas que estavam se preparando no seminário para liderar e servir “, disse Stetzer.

Embora quase dois terços (63 por cento) passou mais de uma década como um pastor, finalmente mudou-se mais para outra função ministerial diferente do pastor sênior (52 por cento), mas 29 por cento para o trabalho sem ministério.

Quarenta por cento dizem que deixou o pastorado por causa de uma mudança na chamada. Eles também citam questões como conflitos igreja (25 por cento), o burnout (19 por cento), finanças pessoais (12 por cento) e questões familiares (12 por cento).

  • Síndrome de Burnout (Alto índice de estresse)

Com o mercado competitivo, ter estresse é normal e até nos ajuda a tomar decisões no trabalho e na vida pessoal. “Em certa quantidade pode ser positivo e mesmo necessário”, avalia Marine Meyer Trinca, psicóloga da Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Entretanto, se isso é uma constante, principalmente quando chega a hora de entrar na empresa, a questão pode ser um pouco mais séria. No fim da década de 60, estudiosos previram a nova doença, classificada como síndrome de burnout.

Caracterizada por ser o ponto máximo do estresse profissional, pode ser encontrada em qualquer profissão, mas em especial nos trabalhos em que há impacto direto na vida de outras pessoas. É o que acontece, por exemplo, com profissionais da saúde em geral, jornalistas, advogados, professores e até mesmo voluntários.

O termo burnout significa que o desgaste emocional danifica os aspectos físicos e emocionais da pessoa, pois, traduzindo do inglês, burn quer dizer queima e out exterior.   Embora já se venha falando sobre o assunto há décadas, no Brasil as discussões em torno da síndrome tornaram-se mais fortes nos últimos anos.

Síndrome de Burnout.png

Pessoas com a síndrome apresentam sintomas como fadiga, cansaço constante, distúrbios do sono, dores musculares e de cabeça, irritabilidade, alterações de humor e de memória, dificuldade de concentração, falta de apetite, depressão e perda de iniciativa.

Essa soma de mal-estar pode levar ao alcoolismo, ao uso de drogas e até mesmo ao suicídio. No dia-a-dia, a pessoa fica ainda arredia, isolada, passa a ser irônica, cínica e a produtividade cai. Muitas vezes, o profissional acredita que a melhor opção seja tirar férias; entretanto, quando volta, descansado, retoma a postura anterior.

“A pessoa tende a adoecer mais porque o sistema imunológico está comprometido. Há casos de pessoas que saíram de férias, descansaram e estavam bem, mas, ao voltar ao trabalho, apresentaram os sintomas novamente”, explica Ana Maria Teresa Benevides Pereira, psicóloga e autora do livro Burnout: Quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador (Casa do Psicólogo).

Caminhos para o bem-estar

Para detectar a síndrome, deve-se fazer um exame minucioso e analisar se os problemas enfrentados estão relacionados ao ambiente de trabalho ou à profissão. O ideal é procurar um especialista no tema e fazer exames psicológicos. É necessário avaliar se é o ambiente profissional que causa o estresse ou se são as atitudes da própria pessoa que passam a ser o estopim.

Existem três focos durante o tratamento psicoterápico: a relação com a profissão, o ambiente de trabalho e o trabalho com foco nos sintomas – por exemplo, a dificuldade de concentração.

Junto à terapia, os especialistas aconselham melhorar a qualidade de vida, prevenir o estresse, garantir boa saúde física, dormir e alimentar-se bem, praticar atividades físicas e manter hobbies e interesse pela vida social.

“Essas coisas estão inter-relacionadas”, disse Stetzer. “Se você está queimando fora as chances, surge um conflito que não vai responder bem, e que vai piorar o conflito.”

Aqueles que deixam vs. aqueles que ficam

Quase toda a linha, os antigos pastores relatam visões mais negativas do que pastores atuais que responderam às mesmas perguntas há vários meses.

LifeWay Research entrevistou 1.500 pastores seniores em igrejas evangélicas e historicamente negras em março de 2015, cerca de 1% deixar o pastorado cada ano para fins que não a morte ou aposentadoria como razões.

Stetzer advertiu que os dois estudos não são diretamente comparáveis. O estudo inicial envolveu todas as igrejas protestantes evangélicas e negras, mas apenas quatro denominações forneceram listas de ex-pastores para a pesquisa de acompanhamento. Além disso, a pesquisa anterior foi realizada por telefone, enquanto os ex-pastores foram pesquisados online.

“Embora as populações não sejam idênticas, o que fazemos notar as respostas de pessoas que deixaram o pastorado são piores”, disse Stetzer. “Ou pastores atuais estão pintando um quadro róseo que não descreve totalmente a realidade, ou aqueles que saem do pastorado estão em uma posição menos saudável. Provavelmente há verdade a ambos.”

Pastores antigos e atuais concordam que o trabalho é exigente: 84 por cento dos pastores atuais e 83 por cento dos ex-pastores dizem que se sentem de plantão 24 horas por dia, enquanto 48 por cento de cada grupo dizem que as exigências do ministério, muitas vezes se sente como mais do que eles podem suportar.

Por outras medidas, no entanto, as diferenças podem ser gritantes:

21% dos pastores atuais vs. 49% dos ex-pastores acreditam que sua igreja tem expectativas irrealistas.

35% dos pastores atuais vs. 62% dos ex-pastores relatam sentirem-se isolados.

89% dos pastores atuais vs. 68% dos ex-pastores sentem-se livres para dizer não a expectativas irrealistas.

92% dos pastores atuais vs. 61% dos ex-pastores acreditam que a sua congregação fornece verdadeiro estímulo para a sua família.

94% dos pastores atuais vs. 74% dos ex-pastores dizem que consistentemente proteger tempo para a família.

Ex-pastores também são menos propensos do que os pastores atuais para relatar um cônjuge entusiasmado, tirar um dia de descanso semanal, e para trabalhar na prevenção de conflitos. Eles são mais propensos a se preocupar com a segurança financeira de sua família e para ficar frequentemente irritado com as pessoas na igreja.

As igrejas em que eles servem olhar muito diferente, de acordo com as pesquisas. Pastores atuais relatar suas igrejas é mais de duas vezes mais provável que os dos ex-pastores para oferecer um plano sabático e uma lista de conselheiros para as referências, mais de três vezes mais probabilidade de ter um ministério leigo aconselhamento e um documento listando expectativas do pastor, e mais de quatro vezes mais probabilidade de ter um grupo de apoio pastor.

“Muitas das lacunas são evitáveis. Uma combinação de seminários, universidades, pessoal, denominacionais, e até mesmo ministérios fora colocando suas cabeças juntas e buscando a Deus sobre a melhor forma de apoiar os pastores.”

http://lifewayresearch.com/2016/01/12/former-pastors-report-lack-of-support-led-to-abandoning-pastorate/

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Do livro “Anatomia da pregação”.

Identificando os aspectos relevantes para a pregação de hoje.

David L. Larsen

Editora Vida.

“Que o Sr nosso Deus, levante homens, pastores que sejam persuasores e não manipuladores.”

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11 respostas para Uma abordagem da função pastoral

  1. Pra que servia o cajado do pastor?

    por Artigo compilado

    SERÁ QUE É VERDADE QUE O CAJADO SERVE PARA O PASTOR BATER, PUNIR OU FERIR AS OVELHAS?

    “Tu estas comigo a tua vara e o teu cajado me consolam” Salmo 23.4

    O salmo 23 é um cântico de confiança que expressa o sentimento de confiança que as ovelhas têm por seu pastor, e a segurança que ele transmite através da utilização de uma vara (bastão, bordão) e de um cajado.

    Em todo contexto do salmo 23, e em toda História de Israel, e dos pastores da Palestina, jamais um pastor fez uso da vara ou do cajado para punir as ovelhas de seu rebanho. A vara e o cajado nunca foram utilizados para ameaçar, maltratar, ferir, matar ou prejudicar de qualquer forma as ovelhas.

    A prioridade absoluta e permanente do pastor é através de seus recursos – a vara e o cajado – oferecer totais garantia de bem estar para suas ovelhas.

    O cajado e a vara somente eram usados para beneficiar as ovelhas

    A vara – bordão, bastão – era uma espécie de pau grosso, resistente, compacto e pesado, de aproximadamente 60 centímetros a 1 metro de comprimento. Servia de apoio ou arma. O pastor utilizava a vara para proteger as ovelhas dos ataques dos lobos e outras feras, pois as ovelhas não têm meios próprios de defesa. As ovelhas são animais débeis, e presas fáceis para os predadores, portanto, são dependentes da proteção do pastor.

    O cajado tinha aproximadamente 3 metros de comprimento e tinha a ponta curvada, como um gancho, que servia para impedir a queda das ovelhas à beira de barrancos e penhascos. Quando uma ovelha caia em um buraco, o cajado era utilizado para erguê-la, pois a ponta curva, em forma de gancho, se encaixava no peito da ovelha que era elevada de volta ao caminho.

    As ovelhas não enxergam mais que 8 a 10 metros. Por isso o pastor sempre ia à frente com o cajado guiando-as por montanhas, vales, precipícios e penhascos, mantendo-as sempre no caminho seguro, evitando suas quedas ou afogamentos nas fortes correntezas.

    Portanto vara e cajado só podem fazer mal para lobos e feras. Nunca será possível ver um pastor usando um cajado ou vara contra uma ovelha. Jesus é o Bom Pastor (João 10.11), e nunca usou a vara para punir a igreja. Então quando alguém diz que Deus está descendo o cajado na igreja, ou quando alguém traz uma mensagem muito dura, e diz que é o cajado de Deus, ou ainda quando um pastor ou pregador, diz que vai usar o cajado contra os irmãos, estas ideia são falsas e anti-bíblicas.

    Mas quando um pastor recupera um crente desviado, ou quando uma mensagem conforta e dá alívio, ou ainda quando a Palavra de Deus levanta o caído, então agora sim, pode-se dizer que a vara e o cajado de Deus foram utilizados.

    http://www.cacp.org.br/pra-que-servia-o-cajado-do-pastor/

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  3. A crise do púlpito e a crise da igreja

    Por René Padilla

    Os últimos anos viram o florescimento, em círculos evangélicos, de uma inegável preocupação com uma maior coerência entre o reconhecimento de Jesus Cristo como Senhor e a missão da igreja. Se a autoridade de Cristo se estende sobre toda a criação, o povo que confessa seu nome é chamado a relacionar sua fé com a totalidade da vida humana. Nada que afete o homem e sua história está isento da necessidade e da possibilidade de se colocar em submissão a Cristo, e nada, portanto, está fora da órbita do interesse cristão e missional. A missão integral é uma consequência lógica da soberania universal de Jesus Cristo.

    Crise no púlpito

    A partir dessa perspectiva, a missão da igreja não pode se restringir à pregação dos rudimentos do evangelho. Está orientada pelo propósito de Deus, que se cumprirá em seu devido tempo, de unir sob o domínio de Cristo todas as coisas, tanto no céu como na terra (ver Ef 1.10). Consequentemente, rejeita a dicotomia entre o secular e o sagrado e se constitui no fermento que leveda toda a massa. Isto não nega, claro, a importância da pregação. O que nega é que esta possa se limitar ao objetivo de “ganhar almas” e aumentar o número de membros nas igrejas evangélicas. Cumpre seu objetivo quando se coloca a serviço da missão integral, quando é portadora das boas novas do reino de Deus, quando ecoa aquele que diz: “Faço novas todas as coisas”.

    Na Declaração Evangélica de Cochabamba, que surgiu da primeira conferência da Fraternidade Teológica Latino-americana (1971), se afirmou que “o púlpito evangélico está em crise […] A mensagem bíblica tem indiscutível pertinência para o homem latino-americano, mas sua proclamação não ocupa entre nós o lugar que lhe corresponde”. Desde então, aconteceram mudanças surpreendentes no povo evangélico em todo o continente. Por exemplo, sua participação na política nacional em vários países. Em relação à pregação, no entanto, persiste o generalizado problema da improvisação e da superficialidade. A crise do púlpito é ao mesmo tempo uma causa e um sintoma da crise da igreja. É causa porque não se pode esperar que sem o cultivo da Palavra a igreja dê seus melhores frutos: a uma pregação pobre corresponde uma vida eclesiástica igualmente pobre. É sintoma porque a matriz dos pregadores é a igreja: as debilidades e carências que afetam a esta necessariamente repercutem nos portadores de sua mensagem.

    Devido à relação descrita, a renovação da pregação é inseparável da renovação da vida e da missão da igreja. O objetivo da pregação, como o da própria igreja, é que o evangelho do reino penetre em todas as esferas da vida humana, tanto em nível pessoal como comunitário, e que a glória de Deus em Jesus Cristo se manifeste em todas as esferas da sociedade. A renovação da vida e da missão da igreja será genuína caso contribua para a realização desse objetivo, para o qual terá que começar pela renovação do entendimento a que faz referência o apóstolo Paulo em Romanos 12.2.

    Só uma pregação que leve muito a sério a Palavra de Deus e a relacione com a situação socioeconômica, cultural e política que nos rodeia servirá para modelar uma igreja cujos membros amem a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças, e ao próximo como a si mesmos. A pregação cumpre seu propósito quando esconde o pregador atrás da cruz de Cristo e busca diligentemente o crescimento na prática do amor a Deus e ao próximo em todas as dimensões da vida daqueles que a escutam.

    Traduzido por Wagner Guimarães.

    Texto publicado originalmente na edição 364 da revista Ultimato.

    • C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de Missão Integral – O reino de Deus e a igreja. Acompanhe seu blog pessoal.

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  4. Pastor não é uma vítima

    Um Pastor cuidando de ovelhas

    Nos últimos tempos temos recebido várias mensagens e estatísticas sobre o sofrimento do pastor. Elas podem ser uteis como um alerta, mas precisamos ter cuidado em como as encaramos. Sou pastor, filho de pastor, irmão de pastor, sobrinho de pastor. Eu sei, pela experiência pessoal e pela descrição das Escrituras, que há sofrimentos no ministério pastoral, momentos de solidão e stress. Entendo que ser pastor só é possível graças à ação sobrenatural de Deus nos capacitando com seu Espírito.

    Na minha juventude tive algo parecido com o que se chama hoje de depressão. Eu me sentia pressionado pela faculdade de Direito, pela expectativa da igreja, pela pressão de ser filho de pastor, pela falta de dinheiro. Mas meu problema era que tinha passado por uma decepção amorosa, eu estava muito triste pelo fim de um namoro. Eu na verdade estava em um curso muito bom na faculdade, tinha uma igreja que me amava, uma família maravilhosa, muitos amigos, um Deus sempre presente e meus pais faziam tudo para que não me faltasse nada. Mas eu culpei a muitas coisas e a muitas pessoas que não eram responsáveis pelo meu sofrimento e a minha tristeza. E isto pode acontecer com um pastor.

    Pastor não é uma vitima.

    Precisamos tomar cuidado com a vitimização do pastor.

    Primeiro, porque algumas destas estatísticas sobre pastores foram feitas nos Estados Unidos pela internet e não temos acesso as variáveis desta pesquisa e nem as circunstancias em que foram feitas. Elas podem ser verdade, mas dentro do contexto em que foram realizadas. Estas estatísticas não nos informam a causa exata de cada caso e corremos o risco de colocar na conta do peso do ministério pastoral a depressão de alguns ministros e não na conta de outros fatores.

    Segundo, porque se fizermos levantamento estatístico de outros segmentos de trabalho encontraremos números expressivos também. Imaginem que uma pesquisa pode constatar que os mecânicos também sofrem acusações injustas, insatisfação de clientes, excesso de trabalho, poucas férias, dificuldades financeiras, frustrações emocionais, conflitos no casamento, etc. Ou imaginem uma pesquisa entre médicos que atendem no SUS, ou de professores da rede pública, tenho até medo dos resultados. Vamos além e imaginemos uma pesquisa feita entre os pobres do Brasil e veremos gente muito sofrida, milhões de brasileiros madrugando para trabalhar, com pouco tempo de sono, pouco salário, poucas férias. O número de divórcios, de suicídios, de drogados e de depressivos é enorme e demonstra que há sofrimento em todos os seguimentos, mesmo que em diferentes graus. O sofrimento é um problema no mundo.

    Terceiro, porque muitos dos sofrimentos em alguns casos de depressão e suicídio no ministério, e isto precisa ser dito, tem mais haver com pecados morais não confessados, escândalos flagrados, do que com maus tratos da igreja e uma desumana exigência no ministério pastoral. Um exemplo: um pastor se matou após ser flagrado traindo sua esposa. O fato é que o excesso de trabalho pode gerar stress, mas o pecado, a preguiça, a desorganização ministerial, a falta de vida devocional e comunhão com Deus também produzem stress, tristeza e depressão. Outros casos de situações extremas de tristeza e até suicídio foram causados na verdade por patologias, distúrbios, etc.

    Quarto, porque o que se dispõe servir ao Senhor no ministério deve estar plenamente consciente do preço que isto exige. Ele deve ser honesto em admitir seus sofrimentos e deve trata-los, mas ele não deve agir como se fosse injustiçado por Deus e uma vítima do mundo e da igreja. Observemos a estatística dos sofrimentos que Paulo faz de seu ministério em 2 Coríntios 11 e daremos graças a Deus pelas bênçãos que temos em nossos ministérios.

    Quinto, porque se o pastor se ver como um segmento que sofre mais do que os outros, poderá se amargurar e perder a alegria em servir ao Senhor. Um pastor com autocomiseração poderá se envolver em válvulas de escape para o stress como vícios e impureza sexual na justificativa de aliviar seus sofrimentos, na ideia de que ele merece extravasar suas dores e compensar de alguma forma seu auto sacrifício pelo Senhor. Um pastor pode se envolver com pornografia, prostituição, vícios, ociosidade na frente na TV, na justificativa que está precisando aliviar sua tensão. E o pecado na vida do pastor gera tristeza, que pode se tornar desanimo, e daí em diante.

    Importante afirmar que eu acredito na depressão, ela existe mesmo, é grave, é urgente seu tratamento e não pode ser subestimada. Pessoas depressivas, muitas vezes, não tem isto ou aquilo, ou sentem isto ou aquilo, elas não têm nada, não sentem nada, se abatem completamente. Muitas não são proativas, não se auto classificam, elas não estão por aí falando de suas dores. O silêncio e a discrição podem esconder muitas vidas sucumbindo por aí.

    Não devemos ignorar as lutas e os problemas dos pastores, e devemos ser sensíveis aos que estão sofrendo e não precipitados em emitir algum julgamento. Mas o ponto é que devemos evitar olhar para o ministério pastoral hoje como um desafio mais difícil do que em gerações passadas ou como uma função feita por heróis que se esforçam mais do que os demais crentes não pastores. O ponto é que devemos evitar toda a raiz de amargura no ministério, é uma grande honra servir ao Senhor.

    Um pastor precisa ter cuidado com o perigo da insatisfação e descontentamento. Estamos vivendo uma época em que está na moda a vitimização. Nós pastores e aspirantes ao pastorado não podemos cair neste erro. Não estamos escolhendo o caminho mais fácil, se quisermos mesmo trabalhar para nosso Deus. Achamos que a comida do outro é melhor, comparamos e nos insatisfazemos. Servir a Deus tem lutas, privações, cruz, perseguições, fome, nudez, perigo, espada, preconceito, simplicidade.

    Por vezes, podemos ser tentados a achar que servir a Deus não é o melhor, a achar melhor assistir a obra de Deus ao invés de calejarmos nossas mãos e perdermos a chance de enriquecermos, de aproveitarmos a vida, servindo em sua ingrata e difícil obra. Lutei contra estes sentimentos muito tempo, sentia o chamado de Deus para me dedicar integralmente a sua obra, mas temia o ônus e o cálice amargo que julgava já experimentar com a vida de meus pais na obra.

    Após Jesus dizer a seus discípulos que seria difícil para os ricos entrarem no reino dos céus (Mc 10.23), Pedro disse: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (verso 28). Podemos perceber que Jesus identificou certa autocomiseração em suas palavras. Como afirma John Piper, o que Ele disse a Pedro já fez com que milhares de missionários deixassem tudo em seus países de origem para seguir a Cristo nos lugares mais desafiadores do mundo: “Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna…” Mc 10:29-30.

    Pastor não é uma vítima, é um privilegiado escolhido por Deus para viver a honra de não apenas crer nele, mas de sofrer por ele. Ser pastor é um trabalho sobre-humano, mas não desumano, porque temos um Deus Sobrenatural nos capacitando.

    Quero dizer aos candidatos ao ministério que ser pastor é um dos maiores privilégios que Deus pode dar a um ser humano e não um penoso castigo. Não deixe nenhuma estatística te desanimar deste chamado tão nobre. Abrace de cabeça este caminho se sente esta vocação, se seus dons comprovam sua vocação e se sua igreja reconhece sua vocação. Atente para o que estas estatísticas apontam, para se prevenir, para se preparar, mas jamais desista do ministério que Deus colocou em suas mãos. Viva de tal forma que possa ouvir da boca do próprio Deus a sentença: “Servo bom e fiel, foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei, entra no descanso do teu Senhor” (Mateus 25). Aconselho lerem o edificante artigo de John Piper: 30 motivos pelos quais é grandioso ser um pastor.

    Estou enfrentando minhas lutas agora, e se Deus não for comigo jamais conseguirei continuar sendo pastor e abençoar alguém. Mas eu creio no meu Redentor, sou feliz pelo privilégio de servi-lo, colocarei diante dele minhas dificuldades, e seguirei servindo-o, não existe outro caminho para mim.

    Tiago Leite, pastor na Igreja Cristã Evangélica Águas Claras em Brasília (DF), vice-presidente da ICEB e doutorando em Ministério pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper na Universidade Mackenzie (SP).

    http://www.ultimato.com.br/conteudo/pastor-nao-e-uma-vitima?

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  6. Carta que um recém-ordenado pastor recebeu de Roma

    Eu, Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, escrevo a você, meu querido irmão e colega de ministério. Desejo tudo de bom para você e sua igreja da parte de nosso Deus e de Cristo.

    Soube de sua ordenação ao ministério. Felicito-o por ter atendido o chamado de Deus e se preparado para tanto. Não por intrometimento, mas por estar historicamente ligado a você e à sua família, tomo a iniciativa de escrever-lhe a presente carta pastoral. Lembre-se de que eu tenho mais do que o dobro de sua idade e sou tão humano quanto você.

    No momento, não vou dar conselho algum sobre questões teológicas, eclesiásticas e administrativas. Nem sobre a vida devocional, que deve ocupar a sua primeira atenção.

    Por saber que muitos dos nossos colegas, inclusive os de minha idade, estão tendo sérios problemas com a sua sexualidade e que a sociedade está cada vez mais permissiva, permita-me dar-lhe alguns poucos conselhos de pai para filho.

    Primeiro, você ainda vai fazer 26 anos e está cheio de vida. Fuja das paixões da mocidade. Ou, melhor, volte as costas para elas. Eu me refiro em especial aos desejos turbulentos da juventude. Não aos desejos naturais, sadios e controlados, mas às paixões malignas e aos pensamentos impuros. Fugir não é sinal de fraqueza nem de fracasso. Muitas e muitas vezes fugir de alguma coisa errada ou inconveniente é um ato de heroísmo.

    Segundo, como pastor de um pequeno ou grande rebanho, você precisa ser exemplo dos fiéis, ao pregar, ao ensinar, ao orar, ao aconselhar, ao advertir. Torne-se padrão para toda a igreja e para os de fora, em tudo: na palavra, no procedimento, no amor, na fé e também na pureza. Estou me referindo à pureza sexual. Em outras palavras, torne-se modelo na pureza, isto é, porte-se de acordo com a lei moral de Deus, em pensamento, palavra e ações.

    Terceiro, você não será pastor só de ovelhas do sexo masculino, mas também de meninas, mocinhas e senhoras (mães e avós). Meu conselho é: trate as mulheres idosas como mães e as mulheres jovens como irmãs, com toda pureza. Você terá de fazer uma ginástica enorme. Não é algo simples tratar qualquer mulher, sobretudo as mais jovens, com naturalidade, sem qualquer maldade, sem qualquer lascívia, sem qualquer impudicícia, sem qualquer luxúria. Essa dificuldade real é devido à bagagem pecaminosa que está dentro de você e de mim.

    Quarto, conserve-se puro. Hoje, amanhã e depois. Em casa, na igreja e na rua. Acordado ou dormindo (caso você tenha algum sonho erótico, provocado ou não por você, lave sua mente e entregue-o ao esquecimento). Sozinho ou na companhia de alguém. Em viagem de uma cidade a outra ou de um país a outro. Sua pureza não pode ser esporádica. Caso haja algum intervalo, apresse-se em pedir desculpas a Deus e a subir imediatamente o degrau do qual você desceu.
    Espero que você leia o meu testemunho pessoal sobre o drama da nossa humanidade e da nossa propensão pecaminosa que eu contei aos nossos irmãos que estão aqui em Roma. Em meu desespero, eu clamei: “Quem sobre a terra nos libertará das garras da minha natureza pecaminosa?”. Mas, quando eu recorri a Cristo, fiz uma oração de ação de graças: “Dou graças a Deus por haver uma solução que só pode ser por meio de Jesus Cristo, Senhor nosso”. Continuo dependendo dele para me conservar puro e ser um exemplo de pureza.

    Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja com você, meu querido filho!

    (Texto baseado em 1ª Timóteo 4.12, 5.1-2 e 22 e em 2ª Timóteo 2.22)

    http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/358/carta-que-um-recem-ordenado-pastor-recebeu-de-roma

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  7. Pingback: Revisões, atualizações e comentários nas postagems | Sal da Terra e Luz do Mundo

  8. Pastores: vasos de barro

    Alonso S. Gonçalves, pastor na Igreja Batista Central em Pariquera – Açu – SP

    A relação de Paulo com a Igreja em Corinto foi tensa em alguns momentos. O apóstolo sofria constantemente “ataques” por parte da comunidade que tinha preferências por outros líderes e deixava isso bem claro. Em II Coríntios, Paulo enfrenta uma crise ministerial com a Igreja, e podemos dimensionar isso em alguns trechos da Carta.

    As acusações que faziam ao apóstolo afetavam a sua vida e ministério. Em relação à sua vida, “diziam” que o apóstolo andava com pessoas “mundanas” (II Coríntios 10.2) e o acusavam de não ser de Cristo (II Coríntios 10.7). Quanto ao seu ministério, a sua pregação era questionada e ele passa a ser considerado um “mau” pregador (II Coríntios 11.6). A comparação com Apolo era inevitável e pessoas da comunidade faziam questão de acentuar as diferenças entre os dois. Ainda no capítulo 11 (versículo 16), Paulo é tratado como um louco (a frona einai), ou seja, alguém insano.

    As críticas são sintetizadas por Paulo (II Coríntios 10.10): “Pois dizem: As cartas dele são duras e fortes, mas sua presença pessoal é fraca, e sua pregação não impõe respeito. Quanto à sua pregação, quando olhamos o texto (grego), o correto seria desprezível (exouqenhmenoz).

    Não é por acaso que II Coríntios é considerada uma Carta chorosa (II Coríntios 2.4). Quando o apóstolo fala sobre sua condição pastoral, prefere usar o exemplo do barro (4.1-7). Diante de todas as críticas, Paulo se vê como alguém que precisa legitimar o seu ministério e enfrentar os seus acusadores. Isso ele faz e reconhece, como alguém fora de si (capítulo 12), mas percebe que não vale muito a pena. Há pessoas que ignoram argumentos quando eles não corroboram o que pensam.

    Paulo está lidando com pessoas que não o reconhecem como um “vaso de barro”. Ele está trabalhando com pessoas que apostam na autossuficiência do apóstolo. Para esses acusadores, o apóstolo não poderia demonstrar fraqueza e Paulo faz questão de mencionar a sua fraqueza (12.5).

    É indubitável o amor de Paulo pela Igreja. Mas, esse amor não estava alicerçado nas estruturas que alguns da comunidade queriam ver em evidência na vida de Paulo. O amor que Paulo expressa pela Igreja dava-se na comunhão de ideais e, principalmente, na proposta do Evangelho. Ele quer se mostrar com humanidade à comunidade e, para isso, recorre ao tema do vaso, que é feito de barro.

    O chamado para o ministério, de acordo com Paulo, se dá porque Deus o convoca baseado na Sua misericórdia. Nesse sentido, não se trata de méritos ou diplomas, mas de entender o chamado e atender aos critérios de Cristo. Há uma responsabilidade para tratar o Evangelho, mesmo correndo um sério risco de não ser ouvido, de não ser atendido. Paulo era consciente disso.

    Mas se o vaso é de barro, há pessoas que gostam de esmagar potes

    Há pessoas que se apegam às estruturas e tornam a vida de seus pastores difíceis, não acompanhando o pastor na condução da Igreja por diferentes razões, algumas delas Paulo enfrentou em Corinto, como preferir a companhia de pessoas que ainda estão “fora” da comunidade ou até mesmo recusar a instrução pastoral por meio da pregação bíblica.

    Pastor é feito de barro

    Uma pesquisa realizada pelo pastor Lourenço Stélio Rega (Diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo) alguns anos atrás (Não há intenção aqui de atualizar os dados), trouxe números preocupantes sobre o Ministério Pastoral. Destacamos alguns aspectos dessa pesquisa:
    • 16% o treinamento recebido no seminário pouco tem servido no ministério;
    • 8% se pudessem deixaria o ministério e procuraria outro meio de sobrevivência;
    • 13% acreditam que o exercício do pastorado empobrece a vida familiar;
    • 78% não estão satisfeitos com a autodisciplina no uso do tempo;
    • 77% não estão contentes e satisfeitos com o tempo que investem na vida devocional;
    • 51% têm de 1 a 5 amigos de verdade (49% não têm?);
    • 9% não têm nenhum amigo de verdade;
    • 38% não têm desenvolvido uma perspectiva de vida para daqui a cinco anos;
    • 30% se sentem mais inferiorizados hoje do que no passado. Se pudessem voltar atrás mudariam muita coisa na vida e ministério;
    • 10% afirmam que a Igreja já foi responsável por desastres na família do pastor;
    • 88% têm facilidade em perdoar os que ofendem

    Esses dados revelam que pastores não são feitos de ferro ou de aço, mas de barro. O vaso de barro quebra, racha, mas se reconstrói, se refaz nas mãos de Deus (à exemplo do profeta Jeremias). O barro demonstra a fragilidade do pastor e evoca compreensão das ovelhas para com o seu pastor.

    http://www.batistas.com/OJB_PDF/2016/OJB_24.pdf

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  9. You could definitely see your enthusiasm within the work you write. The arena hopes for even more passionate writers like you who are not afraid to say how they believe. Always go after your heart.

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  10. Marcos carneiro disse:

    Gostaria de lembrar Tiago 3.v1: Meus irmãos, somente poucos de vocês deveriam se tornar mestres na Igreja, pois voces sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com mias rigor do que os outros” .
    Há muita gente, homens e mulheres, totalmente despreparados, que siquer sabem distinguir história de profecia, que ignoram a existência da ” linha cristocêntrica” que permeia todo VT e que se confirma e prossegue com uma nova ordem (impossibilidade de salvação pelo cumprimento da lei e a salvação para todo o povo de Deus, assim entendido os homens, sua criação), com uma bíblia debaixo do braço, uma garagem alugada, e falando em nome de Deus.Esse tipo de ação, nas palavras de Tiago, pode levar para esses aventureiros (muitas das vezes agem como da mesma forma que os agentes de captação de bancos: vendem a prosperidade e os milagres-até cura de unha encravada agora fica na responsabilidade de Deus-em troca de comissões-dízimos e ofertas-num de já vi das indulgências de 1517.
    Que Deus nos livre desse pecado e que envie verdadeiros e fiéis obreiros, preparados e instruídos nas verdades bíblicas para semear a sua mensagem ao povo: buscai primeiramente o reino de Deus!

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  11. rfbarbosa1963 disse:

    Há alguns anos atrás tinha convicção por um chamado pastoral. O motivo maior é que assim que resolvi descer as águas batismais, fui batizado no Espírito Santo, e confesso aqui que fiquei meio sem saber o que fazer. Fiz uma pergunta, na época, ao meu pastor. “Porque havia sido batizado no Espírito Santo?”. A resposta dele foi simples. “Porque eu precisava.”

    A minha reação inicial foi procurar solidez na palavra. Apesar de ser casado e pai de dois filhos e ter atividades diárias, ou seja, continuar a ser um profissional de nível médio em uma empresa de grande porte resolvi fazer um seminário. Como já tinha ido a formaturas de algumas pessoas no BETEL e normalmente as formaturas do BETEL eram na Assembleia de Deus de São Cristóvão, e o meu Pastor (Pr Fernando Siqueira do Amor divino) tinha, se não me falha a memória, concluído algumas cadeiras lá, além do Bispo Ubirajara e outras pessoas da IPNV, resolvi fazer o mesmo.
    Como na época, eu já era formado na FAHUPE em Licenciatura e Bacharelado em química e complementado o curso de Químico com Orientação Tecnológica nas Faculdades Reunidas Nuno Lisboa, não precisei passar por um vestibular no BETEL. Lembro-me que eu já participava das reuniões de oração na minha igreja, tendo sempre o Diácono Waldyr e o Dc Joel à frente. Só que fiquei sabendo que precisava no 1ºsemestre fazer todas as disciplinas (Era uma norma da instituição), e depois querendo, concluir as disciplinas por crédito. Ou seja, durante seis meses fiquei exclusivamente me dedicando ao BETEL, visto que as aulas eram à noite, permitindo que as minhas atividades como trabalhador permanecessem normais. Eu ainda não estava exercendo o magistério à noite. Então basicamente trabalhava durante o dia e estudava a noite. Era um pouco cansativo, mas não era muito diferente de outras pessoas. Logo depois deste semestre, comecei a fazer as disciplinas por crédito, visto que retornei as atividades no culto de oração semanal.

    Muito bem, conclui o Betel, fui ordenado ao Diaconato na IPNV, as minhas atividades eclesiásticas passaram a ser direcionadas na área de ensino bíblico, continuei as atividades como profissional de nível médio (Técnico Químico) e voltei ao magistério em escola pública à noite.

    Um somatório de pequenas coisas me fez rever este pensamento inicial, mesmo porque hoje tenho absoluta convicção da responsabilidade pastoral, que não é centrada unicamente em estar em um púlpito, e trazer uma mensagem para o povo de Deus. Poucas vezes preguei em um púlpito. Algumas vezes em cultos nos lares. Normalmente trazia as mensagens nas reuniões do GERE (Grupo Evangélico da REDUC), e mensagens curtas, de aproximadamente 15 minutos. Aprendi a resumir as mensagens.

    Acredito que o exercício pastoral deve passar necessariamente por um seminário, por um período de aprendizado do homem de Deus para no púlpito pregar com autoridade, trazer a mensagem com temor e tremor, porque na verdade estamos lidando com vidas, com pessoas, que foram criadas a imagem e semelhança de Deus. A responsabilidade é muito grande. O pastor precisa de tempo para orar, ouvir a voz de Deus e as ovelhas, visitar, entre outras coisas. Humanamente no meu caso tempo não tenho. Lembrei-me agora de uma frase de A.W. Tozer:
    “Nunca ouça um homem que não ouve a Deus”.

    Associar magistério, o exercício de uma atividade profissional e ser professor de uma escola dominical, é algo que hoje graças a Deus faço porque um somatório de pequenas coisas me dá este tempo. Igualmente, preciso me cuidar, tratar da saúde. Sou um homem deficiente físico, pois apresento hemiparesia dos membros inferiores direito, além de uma pequena incontinência urinária(possuo uma Bexiga neurogênica) que me traz alguns inconvenientes no dia a dia. Graças a Deus hoje como faço atividades físicas pelo menos duas vezes por semana em uma academia e natação aos sábados no SESI(Serviço Social da Indústria) localizado em Duque de Caxias, RJ após a minha aposentadoria, minha bexiga tem-se normalizado gradativamente. No ano de 2016, o processo de readaptação no magistério foi concluído e estou atuando no IEGRS(Instituto de Educação Governador Roberto Silveira) à noite como professor articulador pedagógico.
    Outrossim, nós não somos religiosos. O cristianismo não é religião. É ter um relacionamento com Deus e com o seu semelhante da maneira como Ele nos criou, e o Pastor é um profeta que representa Deus diante dos homens, é também um sacerdote que representa os homens na presença de Deus. Moisés é um exemplo:

    Êxodo 19:25; 20:1_2; 18:13-27
    “Então Moisés desceu ao povo, e disse-lhe isto.

    Então falou Deus todas estas palavras, dizendo:
    Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

    E aconteceu que, no outro dia, Moisés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde.

    Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto, que tu fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até à tarde?

    Então disse Moisés a seu sogro: É porque este povo vem a mim, para consultar a Deus;

    Quando tem algum negócio vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis.

    O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes.

    Totalmente desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo; porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer.

    Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, e Deus será contigo. Sê tu pelo povo diante de Deus, e leva tu as causas a Deus;

    E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que devem fazer.

    E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que odeiem a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez;

    Para que julguem este povo em todo o tempo; e seja que todo o negócio grave traga a ti, mas todo o negócio pequeno eles o julguem; assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo.

    Se isto fizeres, e Deus to mandar, poderás então subsistir; assim também todo este povo em paz irá ao seu lugar.

    E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito;

    E escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre o povo; maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez.

    E eles julgaram o povo em todo o tempo; o negócio árduo trouxeram a Moisés, e todo o negócio pequeno julgaram eles.

    Então despediu Moisés o seu sogro, o qual se foi à sua terra.”

    Lembro-me do que escrevi em https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/testemunho-de-conversao/. Eu preciso ouvir a voz de Deus, discernir entre a voz de Deus e a voz do meu coração. Não me lembro de em algum momento da minha vida cristã ter ouvido uma palavra ou profecia no sentido de exercer o pastoreio, apenas alguns comentários.

    Há um texto que expressa bem o meu pensamento:

    Jr 17:9
    “Enganoso é o coração mais do que todas as coisas e incorrigível, quem o conhecerá?”

    Há também uma frase da esposa de um homem de Deus que afirmou o seguinte:

    “Tenha a convicção que a voz que você está ouvindo é a voz de Deus e não a do seu coração.”

    Então, resolvi voluntariamente começar a participar das reuniões de avivamento em minha igreja. Normalmente o Bp Ubirajara, o Dc Waldyr e mais alguns irmãos estavam presentes. Na minha visão como eu já exercia todas essas atividades com certeza Deus não iria me tirar de todas essas atividades para me dedicar única e exclusivamente ao ministério pastoral. Então dobrava os meus joelhos juntamente com outros irmãos pedindo que Ele levantasse homens, pessoas que pudessem assumir estas responsabilidades e serem livres de todo mal.

    A Bíblia afirma em Hebreus, o seguinte:

    Hb 13:7_17
    “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.
    Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.
    Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram.
    Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo.
    Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial.
    E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.
    Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério.
    Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.
    Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.
    E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.
    Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.
    Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente.”

    A responsabilidade mínima que cada homem e/ou mulher deve ter é orar, clamar por homens, pecadores como nós, para exercerem o pastoreio, episcopado ou presbitério debaixo da multiforme graça de Deus, com temor e tremor. A alguns dias atrás li um artigo da Revista Cristianismo hoje “Pastores feridos”. Mais um motivo para o povo de Deus orar, clamar, pedir graça e misericórdia por estes homens, mesmo porque são pessoas que tem as suas fraquezas, mas possuem um chamado, e Deus é soberano para manter a quem Ele quer pastoreando o seu rebanho.

    Outra coisa que é mais importante do que sermos uma nação evangélica. O Censo indica que hoje há uma proporção muito maior de evangélicos na nação brasileira, e isto é muito bom. É um indicativo, apenas um indicativo, que as pessoas estão procurando a presença de Deus, mesmo porque escrevo com absoluta tranquilidade
    , que o mais importante é que nós como povo de Deus, possamos praticar pelas nossas atitudes, o que o apóstolo São Pedro, inspirado pela pessoa do Espírito Santo descreve:

    1ªPe 2:9_10
    “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
    Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.”

    Igualmente, não podemos esquecer que o cristianismo não se resume apenas a igreja evangélica, há outros segmentos cristãos também, bastando para isto olhar os livros de história.

    Então, o mais importante é sermos cumpridores e não apenas ouvintes da Palavra de Deus. Nós somos o sal da terra e luz do mundo.

    O principal contexto do que significa ser sal da terra é preservar, preservar a sã doutrina, tão praticada pelos apóstolos e discípulos dos primeiros séculos, tão buscada pelos reformadores ao longo dos séculos.

    Não é algo inatingível, não é utopia, não há segredos, apenas orações, e muitas orações, muitos clamores e muitas ações de graça.

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