A moral e a Ética no Relacionamento Interpessoal – Guilhermino Cunha

MORAL E ÉTICA

Termômetro indicativo da qualidade de vida.

 Nas relações interpessoais devemos considerar:

Os direitos, deveres e os privilégios.

Direitos =/= Privilégios

Direito

Tem uma obrigação correspondente (Deveres)

Privilégio

Tem um benefício e não damos nada em troca.

A Ética dá os fundamentos, as posições teóricas.

Fazer o Bem e o Mal pode ser interiorizado e representa uma atitude ética.

“Chegaram também uns publicanos para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer? Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito. Interrogaram-no também uns soldados. E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma, nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo”.

            Lucas 3:12_14

        Viver é uma grande bênção, um privilégio (Espiritual) e uma responsabilidade (aspecto moral e jurídico). Conviver bem é uma arte difícil de ensinar e difícil de aprender. Como andam seus relacionamentos interpessoais? Complicados, conflituosos, difíceis? Que soluções você tem vislumbrado? Separar, sair de perto, mudar de emprego, mudar de família, de igreja? Acontece que as pessoas não são descartáveis. O problema pode não estar nos outros. E sim, dentro de você. Aonde você for, levará os seus problemas e criará novos conflitos. Onde há amor, bondade, compreensão e espírito de perdão, tudo tem solução. E tem mesmo.

       A Bíblia nos ensina, através de exemplos positivos e negativos, como nós devemos nos relacionar uns com os outros e como enfrentar situações concretas e difíceis: Se você é jovem e enfrenta as tentações do sexo, leia sobre José no Egito – Gênesis 39:1-23, ou Lv 18:1_30, 1ª Co 6:12_20 e Deuteronômio 22:13-30; se você enfrenta oposição e perseguição séria, leia Daniel 3:19_30 e 6:1_28; Se você tem conflito e inimizade com seus irmãos, com os pais ou cônjuges, leia Gn 33:1_17, Efésios 5:22_33 e 6:1_4; se você estiver preocupado com alguém que pensou ou até pensa em vingança, abra a sua Bíblia e leia Rm 12:19_21, Mt 18:15-35. Enfim, estes são alguns exemplos de como a Bíblia é objetiva e positiva.

       Cuide bem de seus relacionamentos, seja bom amigo, irmão verdadeiro, bondoso, paciente, compreensivo, tolerante com os outros e exigente com você mesmo.

       A Bíblia diz:

“Se alguém cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã” (Tg 1:26).

       Se nós observamos bem o que está em Filipenses 4:8, os nossos relacionamentos vão melhorar. À semelhança dos rotarianos do Brasil e do mundo, vamos nos perguntar: “É a verdade? É justo para todos os interessados? Criará boa vontade e melhores amizades? Será benéfico para todos os interessados”? Precisamos ser um pouco mais éticos uns com os outros no nosso modo de falar e de agir. Leia em sua Bíblia a lei áurea dos relacionamentos:

Mateus 7:12

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.”

      Para terminar esta reflexão, leia e medite, cuidadosamente, nas três peneiras de Sócrates. “Certa vez, um homem muito agitado procurou Sócrates e disse: “Eu tenho que te contar algo do teu amigo Nikitas.        ‘É, É, É, falou Sócrates, ‘E tu já peneiraste isto que queres contar-me? ‘Peneirar?’ perguntou admirado o ateniense. O que queres dizer com isto?’’A primeira peneira é a verdade’, falou Sócrates. ‘É verídico isto que queres me contar?’ ‘Eu creio que sim’, respondeu o ateniense. ‘Mas não o sei com certeza, enfim não estive junto. ’ ‘A segunda peneira é a bondade’, declarou Sócrates. É algo de bom que queres me contar do meu amigo?’ ‘Não, isto não posso afirmar’, falou o ateniense. ‘Eu só pensei que te interessarias’. ‘A terceira peneira  é a necessidade’. ‘É necessário me contar isto? Pensaste bem se é necessário o que vieste falar a respeito do meu amigo. ‘Necessário? Na verdade, não.’‘Escuta’, respondeu então o sábio, se o que me queres contar nem é verdadeiro, nem bom, nem necessário, conserva-o contigo e não me importunes mais’. Com estas palavras Sócrates dispensou o ateniense”.

       Se vivermos em amor uns com os outros; se vivermos como filhos da luz; se tratarmos aos outros como gostaríamos de ser tratados; se a Palavra e o Espírito estiverem implantados em nós, os nossos relacionamentos interpessoais serão os melhores com o mundo “cosmos (as pessoas) e os mais fraternos e santos com os da família da fé. Amém.

 Guilhermino Cunha é Reverendo da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.

 Revista Juerp nº10 – Jun./99.

 NOTA:Itálico: Nota pessoal

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4 respostas para A moral e a Ética no Relacionamento Interpessoal – Guilhermino Cunha

  1. 1 – CONCEITOS BÁSICOS

    1.1 – MORAL

    Da raiz latina “mores” = costumes, conduta, comportamento, modo de agir. É o conjunto sistemático das normas que orientam o homem para a realização de seu fim. Não se deve confundir fim com objetivo. Objetivo é um determinado alvo que o homem se propõe a conquistar pelos seus esforços, ou por toda a sua vida, por exemplo: O conforto, o prazer, as honras, o poder político, etc.
    Em função do objetivo fixado, o homem adota os modos de agir que lhe parecem eficazes para conquista-lo. Fim é uma destinação imanente a cada ser, mesmo independentemente de sua vontade, caso se trate de um ser livre; é a razão de ser de uma existência, é o seu sentido profundo. Assim, o problema fundamental da moral é definir se o homem tem um fim, e eventualmente, qual é este fim. O homem é o único ser em que se verifica uma distância entre sua existência e a sua essência, entre o que ele é e o que ele deve ser.
    O homem quando nasce, traz em si uma imensa ambigüidade, ou melhor, plurivalência: poderá ser um sábio ou um ignorante, um santo ou um viciado, um herói ou um bandido. Daí se induz uma primeira conclusão: qualquer que seja o seu fim como sujeito é o homem que deve realiza-lo é ele mesmo que deve superar a distância entre sua existência e sua essência não em virtude de determinismos de forças físicas, químicas ou biológicas, mas livremente, pela sua responsabilidade, diferenciando-se, assim, de todos os outros seres.
    O homem só adquire sentido a partir do momento em que, além de sujeito, ele passa a constituir-se objeto de uma consciência que o apreende e o investe e integra numa visão conjunta. Do mesmo modo, o mundo, como um todo, nele incluído o homem, só tem sentido quando objetivado por uma consciência extracósmica, que só pode ser Deus, a própria inteligência criadora. Assim, é dele que o mundo e o homem recebem uma significação, uma razão de ser, um fim, que não é outro senão o de realizar-se para aquilo que foram criados, ou seja, a perfeição de sua essência. O fim do homem é, pois, o de realizar, pelo exercício de sua liberdade, a perfeição de sua natureza. E desta norma que cada uma das suas ações, tira a sua moralidade.
    Em todas essas relações, ela define os deveres que incubem ao homem, no reto uso de suas faculdades, no reto uso das coisas, nas relações com Deus, com a família e com a sociedade. A moral é, pois uma ciência normativa e, por este aspecto se distingue da ética, ciência especulativa, que tem por objeto o estudo filosófico da ação e da conduta humanas, procurando a justificação racional dos juízos de valor sobre a moralidade.
    Desprezar a moral é sempre uma tentativa de racionalizar uma decadência ou degradação humana. O postulado básico da moral é, pois, a liberdade, ou seja, o fato de que a vida humana se situa entre o determinismo e a espontaneidade.

    1.2 – MORALIDADE

    Do latim “moralitas” = caráter, característica de um personagem. O sentido abstrato de moralidade só aparece no baixo latim. O conceito de duas dimensões, uma no plano privado, outra no plano público. No primeiro sentido, refere-se
    à qualidade inerente ao ato humano, pelo qual este é moralmente bom ou mal. O homem tem uma vida física e, através da educação da experiência do instinto de conservação dos sentidos, aprende, aos poucos o que é bom e o que é mau para sua vida biológica. Mas ele sabe também que não é um animal como os outros. Sabe que como ser racional e livre tem uma vida espiritual que transcende a vida biológica. É neste nível que se impõe, inelutavelmente, a todo homem adulto, o problema da moralidade: a questão de saber o que é bom e o que é mau, para o homem, não apenas animal, mas enquanto pessoa.
    Quanto mais o homem age segundo a sua natureza e se aproxima de sua perfeição, tanto mais se aproxima da idéia de Deus, daquele homem ideal que Deus tinha em mente quando o criou e o dotou de liberdade para realiza-lo.
    Todos os atos são moralmente bons ou maus, porque promovem ou não a natureza humana. Há, porém, atos que são intrinsecamente bons ou maus, outros que o são apenas extrinsecamente, devida à própria condição social da natureza humana. Para tomar o exemplo de mau, isso significa que algumas coisas são proibidas porque são más em si mesmas, por exemplo, matar um inocente; outras são más porque são proibidas, por exemplo, andar na contra-mão.
    Na vida prática, porém, nem sempre é fácil ao homem discernir se determinado ato livre é, ou foi, contrário ou não à sua natureza humana. Por isso todo homem adulto é dotado de consciência, que é a expressão imediata, a norma próxima do senso moral. Concretamente, agir moralmente bem significa, pois, agir segundo a própria consciência. A imoralidade é a ausência de senso moral, que leva o indivíduo a impossibilidade de discernir entre os atos moralmente bons ou maus. Ela pode ser culposa, quando devida à extrema degradação moral.

    1.3 – RELACIONAMENTO

    De “Relação”. É a rede mais ou menos estável de relações que mantemos e o modo próprio pelo qual nos desempenhamos nas diversas relações. Assim, falamos numa pessoa que tem um grande relacionamento para significar uma extensa rede de relações. Mas também falamos de alguém que possui um relacionamento fácil e agradável. Ninguém pode viver absolutamente isolado (eremita). Todos somos envolvidos num maior ou menor relacionamento ou trama de relações sociais. Há pessoas que possuem o dom de se relacionar com outras e que sabem cultivar suas relações com método e mil pequenas atenções. Conquanto um vasto relacionamento seja um recurso precioso, o que é importante não é tanto o número, mas a qualidade das relações.

    1.4 – RELACÕES INTERPESSOAIS

    A expressão apresenta quatro sentidos:

    (1º)Referindo-se ao conjunto de fenômenos inter e intrapessoais, ou seja: Relações que se travam entre uma pessoa e outra; entre os membros de um grupo; entre um grupo e outro; entre pessoas e grupos e organizações; entre uma organização e outra; entre pessoas, grupos e organizações numa cultura; e entre culturas.

    (2º)Referindo-se à Técnica de Treinamento, abrangendo métodos e técnicas de lidar com problemas que surgem nas relações inter e intrapessoais;

    (3º)Referindo-se a uma orientação ética que estabelece as normas e dita os critérios segundo os quais se avalia a “alta qualidade” de relações interpessoais: esta se dá quando há um espírito de cooperação e compreensão entre indivíduos e grupos, em todos os níveis da organização social, ou ‘a atitude de respeito recíproco entre os seres humanos’, ou ‘o reconhecimento social da dignidade e perspectivas humanas’, ou ainda a ‘coesividade, a alta medida em que as pessoas se dão bem’, ou também ‘o espírito de participação democrático’ ou a ‘estimativa que resulta em comportamentos atenciosos’; nesse sentido relações humanas tanto constituem um guia de comportamento quanto um ideal que se deve almejar.

    (4º)Referindo-se a uma disciplina científica, ou seja, no sentido fundamental, isto é, um campo de pesquisas que descreve e sistematiza esses fenômenos, estabelecendo as leis que os unam e os comandam.

    1.5 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS E FINANÇAS

    Devemos ter um cuidado todo especial nos relacionamentos com homens e mulheres ligados a seitas (seita vem do latim e significa no grego heresia).
    Lembremos de Jesus no seu relacionamento com os sauduceus, fariseus e escribas, o qual foi muito mais profético e de juízo divino do que de bem-aventuranças.
    O homem muitas das vezes olha as aparências mais Deus vê o coração.
    O homem religioso no sentido testamentário é o descrito em Tg 1:25_27.

    A palavra RELIGIÃO (Religar) tem uma origem latina e significa:
    “Ligar o homem de novo a Deus”.

    1ª Co 5:9_11
    “Já por carta vos escrevi que não vos associásseis com os que se prostituem.
    Com isto não quero dizer propriamente com os impuros deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras. Nesse caso vos seria necessário sair do mundo.
    Mas agora vos escrevo que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador. Com o tal nem ainda comais”.

    As relações interpessoais são influenciadas direta ou indiretamente pelas finanças, visto que na sociedade em que vivemos os bens de consumo são adquiridos direta e/ou indiretamente pelo dinheiro ganho no trabalho diário.
    Devemos considerar que a tentação de Eva pela serpente no jardim do Éden tem como uma das suas motivações maiores a cobiça. Não devemos nos esquecer que:

    Jr 17:9
    “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e incorrigível. Quem o conhecerá?”

    A raiz do problema esta na corrupção do gênero humano destituído da glória de Deus.
    Lembremos que com o pecado de Eva e Adão a imagem de Deus (Imago Dei) no homem foi maculada. Muitos homens de Deus afirmam que a “alma do homem perdeu o brilho divino e foi desfigurada”, impossibilitando o homem de manter um relacionamento interpessoal com Deus e tornando as relações interpessoais corrompidas, com raras exceções.
    Só há uma maneira de tornar os relacionamentos interpessoais saudáveis e sinceros: ESTANDO EM CRISTO JESUS. E neste aspecto quero enfatizar que a salvação é diária no sentido de mantermos uma qualidade de vida exemplar, espelhando o caráter de Cristo Jesus, sendo sal e luz para este mundo, dando testemunho de vida e comportamental sem máculas. Devemos ser fiéis diariamente, devemos considerar as palavras do apóstolo São Pedro em sua epístola:

    1ª Pe 3:8_18
    “Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes.
    Não pagueis mal por mal, nem injuria por injúria. Pelo contrário, bendizei, porque para isso fostes chamados, a fim de receberdes benção por herança.
    Pois quem quiser desfrutar a vida, e ter dias felizes, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano.
    Aparte-se do mal, e faça o bem, busque a paz, e siga-a.
    Pois os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos à sua súplica, mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.
    Ora, quem é que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?
    Mas ainda que venhais a padecer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não temais as suas ameaças; não vos turbeis.
    Antes santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações. Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.
    Tende uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo.
    Melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo o mal.
    Pois Cristo padeceu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Ele, na verdade, foi morto na carne, mas vivificado pelo Espírito”.

    1.6-A RELAÇÃO INTERPESSOAIS ENTRE OS SERVOS E SEUS SENHORES

    Examinando as escrituras vemos que a relação entre servos e senhores no princípio era paternal, ou seja, os filhos de Adão e Eva, a saber, Abel e Caim, foram os primeiros criados na terra. Como os homens se multiplicaram, a relação paternal foi-se desvinculando do aspecto familiar gerando conflitos de gerações, culturas e posturas pessoais de cada homem com o seu próximo e com Deus. Na verdade a relação patronal foi se deteriorando com as gerações subseqüentes. Aconteceu isto nas gerações antediluvianas e pós-diluvianas passando por Abraão, Moisés, os reis da terra, os profetas até Jesus Cristo.
    A primeira citação bíblica da relação entre servos e senhores está em Gênesis Cap. 13 quando Abraão e Ló separam-se com os seus respectivos pastores. É uma citação rápida em que houve “contenda” entre os pastores do gado de Abraão e os pastores do gado de Ló, e solucionada com uma simples negociação entre ambas as partes. A Bíblia afirma em Gênesis 13:6 “Mas a terra não podia sustenta-los, para que habitassem juntos”. A origem do problema foi o crescimento dos bens de ambas as partes. A solução foi a compreensão de ambas as partes com o objetivo de manter a unidade familiar (Gn 13:8 “… pois irmãos somos)”.
    O resultado final pode não ter sido satisfatório, pois Ló habitou perto de Sodoma e mais tarde passou a ser um morador de Sodoma, a qual foi posteriormente destruída pelo Senhor. Mas o amor fraternal entre irmãos não foi destruído.
    Outra história que retrata bem a relação entre Servos e Senhores está no contrato feito entre Labão e Jacó, onde podemos ver a primeira citação bíblica sobre salário, na qual Jacó recebeu como salário as suas esposas Raquel e Lia (Gn 29:15_18).

    Gn 29:15, 18
    “Depois perguntou Labão a Jacó: Por seres meu irmão hás de servir-me de graça? Declara-me qual será o seu salário?”.
    “Jacó amava a Raquel, e disse: Sete anos te servirei por Raquel, tua filha mais moça”.

    BIBLIOGRAFIA

    A)Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo

    B)Ética Cristã
    Alternativas e Questões Contemporâneas
    Norman L. Geisler

    C)Conselheiro Capaz
    Jay E. Adams

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  2. A arte dos relacionamentos

    por Artigo compilado

    A arte
    Não existem relacionamentos perfeitos. Eles são construídos e dependentes da experiência, maturidade e sabedoria da pessoa em interpretar e corrigir as experiências afetivas negativas (Pv 15.31), transformando-as em lições positivas para que não se repita os erros cometidos (Pv 9.9; 13.16). É preciso educar as emoções para conviver com as diferenças e não responder o agravo com outro (Pv 15.1, 18, 23). Isto não ocorre de um dia para o outro, mas é um processo que perdura por toda vida.

    Relacionamentos saudáveis e afetividade (Jo 13.34)

    O homem é um ser em construção. Ele não nasce pronto, acabado, mas do início ao fim da vida está em permanente desenvolvimento de sua personalidade, talentos, habilidades e relacionamentos (Sl 103.14-16). O homem não é apenas capaz de aprender, como também em desaprender, adquirir novos hábitos e caminhar rumo à maturidade (Ec 3.1-7). Ele cria e recria a si mesmo.

    A construção do sujeito não é um processo retilíneo, mas repleto de serpenteados, de rupturas e retomadas de rumo, como afirma Ec 3. Ele cresce no cultivo da vida social e deve ser sábio para distinguir os relacionamentos bons dos maus, as boas companhias das más, as interações frutíferas das frívolas e assim sucessivamente (Pv 13.20; 14.8). É no encontro dos vários afluentes da vida social, espiritual e afetiva que a vida e a identidade do sujeito são construídas. Ele tanto exerce quanto sofre influências e deve proceder de tal modo que as influências negativas não modifiquem seu comportamento e suas escolhas cristãs (Pv 14.33; 1ªCo 13.11). O homem deve ser bom apesar de toda lama que o cerca (Pv 4.20-27; 16.2; 21.21).
    Entendendo as interações humanas como parte de um processo necessário à construção do sujeito, e que esse desenvolvimento não ocorre exatamente como fórmulas matemáticas, mas se trata de uma construção social na qual o indivíduo se constitui e prossegue se constituindo, a pessoa é responsável por aquilo que cultiva e pelas escolhas que faz ao longo do caminho (Pv 16.9; 22.24-26). Nessa lida, a educação dos sentimentos desenvolvidos nas interações sociais na infância e adolescência são muito significativas para a nova fase da vida adulta, a qual o jovem, por exemplo, já se encontra no limiar. Cabe bem uma parte da poesia de Rudyard Kipling (Citado por Júlio Schwantes, em Colunas do Caráter):
    “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre reis, não perder a naturalidade, e de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade, e se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho, tua é a terra com tudo o que existe no mundo, e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!.”

    Relacionamentos doentios e o ser

    O desenvolvimento integral do homem não deve ser fragmentado na imatura linguagem teológica da dicotomia ou tricotomia (Lc 2.52; 1ªTs 5.23; Hb 4.12) ou mesmo nas expressões da psicologia (motor, afetivo, cognitivo, social), como se o crescimento afetivo saudável ou doentio se manifestasse em uma das partes sem afetar ou ter relação com o todo. O ser humano se desenvolve numa totalidade e cada uma das dimensões que o compõe é afetada como também influencia umas às outras. No exemplo de Saul, o primeiro a ser prejudicado foi o próprio rei que, tomado de profunda inveja e ira (Pv 14.17, 30), não teve maturidade para resolver seus dilemas e conflitos, vindo a cometer suicídio (1ªSm 31.1-6). O desgaste emocional de Saul (1ªSm 18.7-9) teria sido evitado se ele dominasse a si próprio (Pv 30.33; 25.28; Gl 5.23).
    A falta de maturidade afetiva de Saul levou-o a se ocupar em destruir a Davi (1ªSm 18.7-15; 19.1-11). Ele tinha família, um reino e exércitos para cuidar, no entanto, ignorou todas as suas responsabilidades como pai, rei e comandante para perseguir o músico de Javé (1ªSm 18.10). Saul estabeleceu para si um objetivo vil que afetou e prejudicou toda sua vida emocional, social e espiritual. Sua energia e vida foram drenadas por sentimentos doentios que levaram-no à amargura e mais tarde ao suicídio. Cultivar a ira, a vingança, a mágoa, entre outras emoções e sentimentos ruins prejudica a totalidade da vida humana. A força dessas emoções não pode ser subestimada e negligenciada por qualquer pessoa. Elas sobrepõem-se a razão e influenciam profunda e completamente o comportamento do indivíduo, sem que ele próprio atine para isso. De pouco adianta a oração, a leitura das Escrituras e o aconselhamento se a pessoa não tomar a decisão de perdoar o suposto ofensor (Mt 5.44; 6.12; Ef 4.32), deixar a ira, abandonar o furor e não procurar a vingança (Sl 37.8). Para vencer tais emoções e sentimentos destrutivos o salmista aconselha: “não te indignes para fazer o mal”, “não tenhas inveja dos que praticam a iniquidade”, “deixa a ira”, “abandona o furor” (Sl 37.1,7,8). Proibi-los não é suficiente, segundo Davi, que tanto sofreu injustiças, é necessário assumir uma nova postura: “confia no Senhor”, “faze o bem”, “deleita-te no Senhor”, “descansa no Senhor e espera nele” (vv. 3-7).
    Sentir raiva, inveja, ciúmes entre outros sentimentos que afetam a vida psicossocial do homem, embora não desejável, faz parte da vida humana e da aprendizagem afetiva a qual o homem está trilhando e são descritos na Bíblia como pecado (Gl 5). Todavia, é necessário dominar e refrear tais sentimentos e impulsos (Pv 25.38; At 24.25). Caim (Gn 4.8-15), Saul (1ªSm 18.7-15) e Sansão (Jz 14) são exemplos de pessoas que se deixaram levar por sentimentos que destruíram suas vidas. Leia a recomendação de Deus a Caim (Gn 4.7). Afirmou Júlio Schwantes, em Colunas do Caráter: “O domínio-próprio é uma conquista diária, em que as pequenas vitórias de hoje preparam as vitórias maiores de amanhã”. Deste modo, afirmo que a verdadeira grandeza do homem é medida pela força dos sentimentos que ele domina, e não pelos sentimentos que o dominam.

    Construção de bons relacionamentos

    Para compreender a base dos bons e dos maus relacionamentos é preciso entender a construção do próprio sujeito em seus diversos níveis: social, cultural, religioso. As interações sociais são construídas com base nos valores advindos da experiência de vida e formação da personalidade e caráter das pessoas. Nisto, a educação familiar como também a sociedade pode interferir positiva ou negativamente na construção ou não de relacionamentos maduros (Pv 23.13; 20.11; 29.15). Todavia, isso não significa que o sujeito esteja mecanicamente determinado por essas relações sociais, contudo, não se pode negar as influências externas na formação da afetividade. Da mesma forma como se aprende bons hábitos pode-se também com algum esforço abandonar os maus costumes e sentimentos que prejudicam as interações humanas.
    Bons relacionamentos são construídos ao longo do processo de aprendizado de vida do indivíduo (1ªSm 18.1). Eles são capazes de estimular o que há de melhor no outro, revelando qualidades que talvez fosse ignorada pela própria pessoa (1ªSm 19.1-7), pois favorece o conhecimento de si e do outro (1ªSm 18.3-4). Eles não surgem de modo inesperado e mágico, mas desenvolvem-se à medida que os interesses e afinidades correspondem ao do outro. Neste aspecto, é importante escolher e iniciar boas amizades e relacionamentos saudáveis nos grupos de afinidades como a família e a igreja. Nesses dois grupos principais, os valores, os objetivos e as crenças são possivelmente mais afins do que noutros grupos de interesse como os da empresa, da universidade, onde nem sempre se encontram pessoas dispostas a compartilhar dos valores e crenças pessoais. A igreja, a comunidade da fé, é o lugar ideal para que o cristão estabeleça relacionamentos maduros e duradouros. Isto é possível porque há certa afinidade e interesse mútuos. Os princípios estabelecidos no Salmo 1.1-6 e 1ª Coríntios 15.33 devem ser observados cuidadosamente por aqueles que desejam agradar ao Senhor, até mesmo na seleção de suas amizades e relacionamentos sólidos.
    Infelizmente, os bons relacionamentos estão cada vez mais raros. O vulgar é ter muitas “curtidas” e “amigos” nas redes sociais, mas raro são os amigos para se estabelecer relacionamentos verdadeiros e duradouros. Todavia, isso não quer dizer que estabelecer bons relacionamentos seja impossível, apenas que boas interações humanas não se acham em qualquer lugar como mercadoria barata e de pouco prestígio. Alguns não encontram boas pessoas para se estabelecer boas interações humanas e significativas pelo simples fato de procurarem em lugares ruins. Daí a razão pela qual devemos valorizar as amizades dentro do grupo de interesse como a família e a igreja e, mesmo assim, doses de discernimento e perspicácia são necessários. Nem todas as amizades na comunidade de fé são sinceras. Sempre há um “judas” disposto a macular a honra dos outros e pilhar as sobras. Portanto, cultive os bons relacionamentos! Invista nas pessoas com as quais existe certa afinidade, principalmente com os domésticos na fé.
    Personagens como Caim, Saul e Sansão ilustram como a falta de domínio pessoal sobre os sentimentos e desejos podem prejudicar as interações humanas. Portanto, se você tem dificuldade em dominar a si próprio ore a Deus pedindo o fruto do Espírito (Gl 5.22-23).

    Esdras Costa Bentho, teólogo pentecostal, professor da FAECAD, Mestre e Doutorando em Teologia pela PUC, RJ.

    Extraído do CPAD News em 21/03/2017
    http://www.cacp.org.br/a-arte-dos-relacionamentos/

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  4. O cultivo das relações interpessoais

    Texto Áureo

    “Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.”
    (Rm 16:27).

    Verdade Prática
    Deus deseja que os crentes, alcançados pela graça, cultivem relacionamentos saudáveis.

    LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

    Rm 16:1-16
    “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia,
    Para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo.
    Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus,
    Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.
    Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acáia em Cristo.
    Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós.
    Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo.
    Saudai a Ampliato, meu amado no Senhor.
    Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado.
    Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo.
    Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de Narciso, os que estão no Senhor.
    Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor.
    Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha.
    Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermes, a Pátrobas, a Hermas, e aos irmãos que estão com eles.
    Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas, e a todos os santos que com eles estão.
    Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam.”

    COMENTÁRIO

    INTRODUÇÃO
    Os vinte e sete versículos do capítulo dezesseis da Epístola aos romanos encerram a monumental obra literária de Paulo. Por toda a obra, o apóstolo discorreu a respeito dos principais temas da fé cristã e deixou-nos princípios fundamentais que são úteis para a construção de relacionamentos interpessoais. De uma maneira informal, mas com o seu estilo literário característico, Paulo traz à lembrança nomes de pessoas que, de uma forma ou de outra, o ajudaram a construir a identidade cristã do primeiro século. Ele não deixou que esses nomes caíssem no esquecimento, e, no final de sua carta envia-lhes saudações, numa demonstração de gratidão a Deus por tudo o que essas significaram para ele.

    Ponto Central
    • O crente precisa cultivar relações interpessoais saudáveis.

    I – A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

    1. Valorizando pessoas, não coisas.

    Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a irmã Febe, membro da igreja de Cencreia. Foi através dela que o apóstolo enviou sua epístola à igreja que estava em Roma. A recomendação vem acompanhada de uma observação na qual Paulo reconhece o serviço prestado por ela à igreja de Cencreia: “[…]a qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16:1,2). Ela servia à igreja. O vocábulo servir, usado aqui, traduz o termo grego diakonos, o que tem levado muitos comentaristas a acreditar que ela era uma diaconisa da igreja. O fato é que o apóstolo pôs em evidência a função em vez do ofício. Infelizmente, hoje as coisas estão invertidas. O que vale mais hoje são os títulos e os cargos ao invés do desempenho do serviço cristão.

    2. O valor das mulheres

    Paulo fala de Priscila e Áquila, como tendo exposto suas vidas na causa do Evangelho (Rm 16:3). Esse casal era judeu e havia sido expulso de Roma pelo imperador Cláudio. Agora haviam voltado à capital do império. Outras referências ao mesmo casal são encontradas em Atos 18:2, 18,26, 1ªCo 16:19 e 2ªTm 4:19. Duas observações são importantes na vida desse casal. Primeiramente, Paulo sempre cita Priscila em primeiro lugar. Muitos comentaristas concordam que isso tinha uma razão de ser. Priscila se destacava na obra do Senhor, sendo auxiliada por Áquila, seu esposo. Quem não conhece uma irmã em Cristo que se destacava mais do que o esposo na causa do Mestre? Paulo não cita apenas Priscila, mas cita outras mulheres de igual destaque. No versículo seis, ele menciona uma mulher de nome Maria: “Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós”. Pouco se diz dessa Maria, e o que se sabe é ela “trabalhou muito” na obra de Deus. Trabalhar aqui traduz o termo grego kopiao, que significa trabalho voluntário. Maria se deu voluntariamente para a obra de Deus. Precisamos de mais “Marias”. Que o Senhor envie mais “Marias” para a sua obra.

    3. Irmandade e companheirismo

    Na saudação seguinte, sentimos o peso que tinha a comunidade cristã para Paulo e o valor do seu companheirismo (Rm 16:7,8). A igreja é o Corpo de Cristo. Ela é uma grande família. Conscientizemo-nos da importância que tem a fraternidade cristã para a saúde da igreja. Infelizmente a nossa espiritualidade segue mais um modelo de condomínio, onde ninguém conhece ninguém, do que de uma casa de família, onde todos se conhecem e se relacionam.

    • SÍNTESE DO TÓPICO I
    Precisamos valorizar pessoas e não coisas, estabelecendo relacionamentos interpessoais saudáveis.

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
    “Paulo recomenda Febe (16:1)
    A palavra que a descreve como serva é diakonia, diácono. Exceção feita pelo seu final feminino, é a mesma palavra em todas as versões em inglês para ‘diácono’ nas epístolas pastorais. É usada também para indicar cargo de liderança na igreja. Aparentemente, Paulo não era tão negativo em relação à liderança feminina quanto muita gente é hoje.
    Priscila e Áquila (16:3). O casal apresentado em Atos 18 era bem próximo do apóstolo Paulo e estava profundamente envolvido em seu ministério. É significativo notar que, exceção feita ao versículo em que os dois são apresentados, o nome da esposa precede a do marido. Tudo indica que os dons de Priscila eram maiores do que os dons do conjugue e a Escritura é testemunha do respeito que ela gozava na igreja primitiva”.

    CONHEÇA MAIS

    • Febe

    “Febe morava na cidade de Cencreia, um porto localizado a oeste de Corinto, cerca de dez quilômetros do centro desta cidade. Era conhecida como uma diaconisa, isto é, uma ajudante na igreja local. Aparentemente, ela era uma pessoa rica que ajudava a manter o ministério de Paulo. Febe era muito conceituada na igreja de Cencreia e pode ter sido a portadora desta carta, levando-a de Corinto a Roma. A saudação de Paulo a ela é uma evidência do importante papel que as mulheres desempenharam na Igreja Primitiva.”

    II – AS AMEAÇAS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

    1. Individualismo.

    No meio das saudações, o apóstolo Paulo, de forma abrupta, põe uma advertência: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16:17). Alguns comentaristas acham que esse versículo se encontra deslocado do restante dos demais. Mas, a verdade é que ele está no lugar onde deveria estar. Paulo via como uma ameaça a quebra da koinonia cristã. Portanto, era um perigo às relações interpessoais, o individualismo daqueles que promoviam dissensões. Esse individualismo está caracterizado no fato de que eles serviam ao seu próprio estômago ou ventre. Viviam para si mesmos. O faccioso geralmente é um indivíduo solitário até o momento em que arregimenta outros para compartilhar do seu pensamento doentio. A igreja deve observá-lo e afastar-se dele.

    2. Sensualismo e antinomismo.

    Esses irmãos facciosos não apenas provocavam dissensões, mas também promoviam escândalos (Rm 16:17). A maioria dos comentaristas são de acordo que Paulo tinha em mente o movimento herético do primeiro século conhecido como gnosticismo. Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Em outras palavras, como viam a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era material. Isto os conduzia a uma vida sensual. Por outro lado, outra consequência desse entendimento errado, estava na troca da doutrina bíblica por “palavras suaves e lisonjas” (Rm 16:18). Não havia regras para obedecer. Esse ensino de sabor adocicado, porém falso, tinha a capacidade de atrair os incautos.

    • SÍNTESE DO TÓPICO II

    O individualismo, o sensualismo e antimonismo são ameaças às relações interpessoais.

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    • Professor, mostre aos alunos os princípios cristãos estabelecidos por Paulo que nos ajudam a desenvolver relacionamentos saudáveis.
    • “Não devemos julgar ou desprezar outras pessoas cujas convicções diferem das nossas.
    • Devemos reconhecer o senhorio de Jesus Cristo como realidade prática. Isso significa que devemos proteger a liberdade que os cristãos têm, individualmente, de tomarem suas próprias decisões quanto às ‘contendas sobre dúvidas’. Jesus, não a minha consciência, é o Senhor do meu irmão.”
    • As ‘contendas sobre dúvidas’, nas quais divergimos, não são erradas nem certas em si mesmas. Mas, qualquer ato que viole a consciência é errado para as pessoas.
    • No exercício de nossa liberdade, devemos permanecer sensíveis às convicções dos outros. Escolher agir de maneira a beneficiar nossos irmãos é mais importante do que afirmar nossa liberdade de fazer algo que viole a consciência dos outros.
    • Estaremos em situação bem melhor se, todos nós, concordamos em manter para nós mesmos nossas convicções sobre questões duvidosas, e tratarmos de assuntos relacionados a amar e servir uns aos outros.
    • Lembremo-nos sempre do exemplo de Cristo. Como Jesus aceitou a você e a mim? Ele nos recebeu em nossa imperfeição. Ele nos recebeu em nossa ignorância. Ele nos recebeu enquanto velhas práticas ainda estavam ligadas a nós, como as faixas de linho na sepultura ligavam o Lázaro que o Senhor ressuscitou (Jo 11:44). Jesus nos recebeu para uma experiência transformadora de amor, confiante de que o poder do perdão de Deus nos limparia e nos purificaria”.

    III – A FONTE DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

    1. Existe em razão da sabedoria e soberania de Deus

    Paulo queria que os Romanos se certificassem de que ele lhes ensinara o Evangelho de Deus. O evangelho da graça faz parte do “mistério” que Deus deu a conhecer no final dos tempos (Rm 16:25). Esse mistério, que esteve oculto, foi dado a conhecer à Igreja através de revelação do Espírito Santo. Era sobre o desvendar desse mistério que Paulo acabara de escrever. Deus, em sua soberania, permitiu que a sua soberania, permitiu que a sua sabedoria fosse revelada no evangelho da graça. O resultado foi a salvação a todo aquele que crer. A igreja de Roma era fruto disso.

    2. Existe em razão da graça de Deus
    Paulo encerra a sua Epístola com uma expressão de louvor e adoração. Isso tinha uma razão de ser, a revelação da graça de Deus, mediante o Evangelho: “Mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé, ao único Deus, sábio, seja dada por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!” (Rm 16:26, 27). Essas palavras de adoração nos fazem lembrar outra expressão de louvor do apóstolo: “Porque dele, e pr ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11:36).

    • SÍNTESE DO TÓPICO III
    A sabedoria, a soberania e a graça de Deus são as fontes das relações interpessoais.

    SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

    • “Ele é poderoso (16:25_27)
    Como é possível levar pecadores, motivados pelo egoísmo e paixões pecaminosos, separados por preconceitos raciais e enormes diferenças sociais, a crerem numa comunidade unida pelo amor desprendido? Somente Deus pode fazer isso no mundo do século primeiro. Somente Deus pode assim proceder em nossos dias. A mensagem de Romanos é de que ele o fará, através da justiça imputada a nós pela fé, construída verdadeiramente pela confiança contínua em nosso Deus vivo”.

    CONCLUSÃO

    Nada mais apropriado do que encerrar uma carta incentivando as relações interpessoais saudáveis. É isso o que Paulo faz no final da carta aos Romanos. Primeiramente vemos o quanto ele valorizou o relacionamento interpessoal saudável, doutrinando a igreja a respeito dos perigos das contendas e divisões. O individualismo, o sensualismo e as heresias deveriam ser resistidos energicamente. Muitos dos nomes que Paulo citou haviam labutado ombro a ombro com ele na edificação do Corpo de Cristo. Não eram lembranças nostálgicas, mas recordações que ajudavam a refrigerar a alma. Por último, não deveriam esquecer de que a fonte e a origem de toda harmonia é Deus. Ele é a fonte de toda a graça dispensada.

    Lições Bíblicas – 2º Trimestre de 2016 – Maravilhosa Graça – O evangelho de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos

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