Uma reflexão bíblica sobre os sistemas de governo e ordenanças da igreja

Tipos de governo da igreja

       Ao longo de toda a História, houve várias formas básicas de governo da Igreja. Vou apresentar os mais conhecidos e estruturados. Depois da análise, tentarei determinar se alguma delas é preferível para hoje. As formas que analisaremos são:

  • Episcopal
  • Presbiteriana
  • Congregacional

Segue abaixo uma explicação rápida de cada uma:

O Governo Episcopal

Neste sistema mais antigo, adaptado como, por exemplo, pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa, os ministros principais da Igreja são os bispos. Há vários graus de episcopado, ou seja, há variações quanto ao número de níveis de bispos. A forma mais simples de governo episcopal é encontrada na Igreja Metodista, que só possui um nível de bispos. Um pouco mais desenvolvida é a estrutura governamental da Igreja Anglicana ou Episcopal, enquanto a Igreja Católica Romana possui o sistema mais completo de hierarquia, com a autoridade investida especialmente do sumo pontífice, o bispo de Roma, o Papa. A igreja Cristã Nova Vida também adota esta forma de governo.

É natural no sistema episcopal a ideia de diferentes níveis de ministério ou diferentes graus de ordenação. O primeiro nível é o do ministro ou sacerdote comum. Em algumas igrejas, há passos ou divisões dentro desse primeiro nível, por exemplo, diácono e presbítero. Todos estes são mencionados no Novo Testamento. O Governo é centralizado na figura de um dirigente, responsável pelas decisões e destinos da igreja, mas que possui um grupo de subalternos, o Colégio Episcopal, responsáveis pela administração da gestão do sistema. Como denominação evangélica, a Igreja do Evangelho Quadrangular segue este governo, qual o bispo rege uma ou mais regiões eclesiásticas e há ainda os pastores, evangelistas e diáconos. Os clérigos desse nível são autorizados a desempenhar todas as tarefas básicas associadas ao ministério, ou seja, pregam e ministram as ordenanças.  Além desse nível, há um segundo nível de ordenação que constitui uma pessoa bispo. O papel dos bispos é exercer o poder de Deus de que foram investidos. Em particular, como representantes de Deus e pastores, governam um grupo de igrejas, e cuidam dele, em vez, de simplesmente cuidar de uma congregação local. Entre seus poderes está a de ordenar ministros ou sacerdotes. Há igrejas que não usam a nomenclatura “bispos”, mas outras. Porém realizam a mesma função e com os mesmos poderes, por exemplo, são usados os seguintes termos em algumas igrejas: superintendente regional, diretores gerais, presidente ou termos semelhantes.

As igrejas evangélicas pentecostais e neo-pentecostais são os grupos que mais se identificam com o sistema de governo episcopal.

O Governo Presbiteriano

O governo presbiteriano é uma forma de organização da Igreja que se caracteriza pelo governo de uma assembleia de presbíteros, ou anciãos. O oficial principal na estrutura presbiteriana é o presbitério, posição que remonta à sinagoga judaica. Os presbíteros são encontrados na Igreja do Novo Testamento. Em Atos 11:30 lemos a presença dos presbíteros na congregação de Jerusalém. Os irmãos de Antioquia providenciaram auxilio material aos crentes de Jerusalém, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Paulo.  As epístolas pastorais também mencionam os presbíteros.

Parece que na época do NT as pessoas escolhiam seus presbíteros, e eram pessoas a quem consideravam particularmente qualificados para dirigir a Igreja. Ao escolherem os presbíteros, a igreja somente externava o que o Senhor já havia escolhido.

No Sistema Presbiteriano, entende-se que a autoridade de Cristo é dispensada a indivíduos crentes, que a delegam aos presbíteros por eles escolhidos que passam a representá-los dali em diante.

A forma de governo consiste numa ordem crescente de conselhos. O menor de todos os conselhos é o Conselho da Igreja Local, formado pelos ministros docentes (pastores) e pelos ministros leigos (presbíteros). Acima dos conselhos locais se encontram os Presbitérios, formados por presbíteros representantes de cada igreja de sua área de abrangência.

Uma vez eleitos ou designados, os presbíteros atuam em favor ou no lugar dos indivíduos crentes. É, portanto, entre os presbíteros que a autoridade divina atua dentro da igreja.

Esta autoridade é exercida numa série de concílios. No âmbito da igreja local, o conselho ou o consistório é o grupo responsável pelas decisões. Todas as igrejas de uma área determinada são governadas por um presbitério. Envolvendo os Presbitérios e formado por representantes dos mesmos, está o Sínodo, de autoridade máxima em sua circunscrição, formado por igual número de presbíteros leigos e clérigos escolhidos pelos presbitérios. Como estância máxima de apelação e decisões sobre a igreja está a Assembléia Geral ou Supremo Concílio (composta de mais uma vez de representantes leigos e clérigos dentre os presbíteros, que toma todas as decisões sobre a Igreja e trata dos assuntos externos, ficando a cargo de exercer poder jurídico sobre decisões tomadas por conselhos inferiores). As prerrogativas de cada um desses concílios são descritas na constituição da denominação.

O sistema presbiteriano é diferente do episcopal no fato de existir só um nível de clero. Só existe o presbítero docente (o pastor) ou o presbítero regente. Não existem níveis mais altos como o de bispo. É claro que certas pessoas são eleitas para cargos administrativos dentro dos concílios. Elas são selecionadas para presidir ou supervisionar funções específicas. Não são bispos, não havendo ordenações especiais para tais funções. Não existe autoridade especial inerente ao ofício. Outra medida de nivelamento no sistema presbiteriano é uma coordenação deliberada entre clérigos e leigos. Ambos os grupos são incluídos em todos os concílios. Ninguém possui poderes ou direitos especiais que o outro não possua.

Esta forma de governo foi desenvolvida como rejeição ao domínio por hierarquias de bispos individuais (forma de governo episcopal). Esta teoria de governo está fortemente associada com os movimentos da Reforma Protestante na Suíça e na Escócia (calvinistas), com as igrejas reformadas e mais particularmente com a Igreja Presbiteriana.

O governo presbiteriano serviu e serve de inspirações a vários regimes democráticos ao redor do mundo, principalmente no que diz respeito às esferas de poder. A forma de governo consiste numa ordem crescente de conselhos. O menor de todos os conselhos é o Conselho da Igreja Local, formado pelos ministros docentes (pastores) e pelos ministros leigos (presbíteros). Acima dos conselhos locais se encontram os Presbitérios, formados por presbíteros representantes de cada igreja de sua área de abrangência. Envolvendo os Presbitérios e formado por representantes dos mesmos, está o Sínodo, de autoridade máxima em sua circunscrição. Como estância máxima de apelação e decisões sobre a igreja está a Assembleia Geral ou Supremo Concílio, que toma todas as decisões sobre a Igreja e trata dos assuntos externos, ficando a cargo de exercer poder jurídico sobre decisões tomadas por conselhos inferiores.

O Governo Congregacional

A terceira forma de governo da Igreja é a Congregacional e destaca o papel do cristão como indivíduo e tem a igreja local como centro de autoridade. Dois conceitos são básicos no sistema Congregacional: autonomia e democracia. Por autonomia entendemos que a congregação é independente e governa a si mesma. Não há poderes externos que possam ditar diretrizes para a igreja local. Por democracia, entendemos que cada membro da igreja local tem voz em seus assuntos. São os indivíduos da congregação que possuem e exercem autoridade. A autoridade não é prerrogativa de um único indivíduo ou de um grupo seleto. Entre as igrejas que adotam o governo Congregacional, estão os Batistas e os Congregacionais e boa parte dos luteranos.

Seguindo um princípio de autonomia, cada igreja local chama seu próprio Pastor e determina seu próprio orçamento. Ela adquire e gere propriedades independentemente de quaisquer autoridades externas. O princípio da democracia baseia-se no sacerdócio de todos os crentes que, segundo entendem, ficaria prejudicado, caso bispos ou presbíteros recebessem a prerrogativa de tomar as decisões. A obra de Cristo torna tais dirigentes desnecessários, pois agora cada crente tem acesso ao Santo dos Santos e pode ter acesso direto a Deus. Além disso, como Paulo nos relembra cada membro ou parte do corpo pode fazer uma contribuição valiosa para o bem-estar do todo.

Há, certamente, alguns elementos de democracia representativa dentro da forma Congregacional de governo da igreja. Certas pessoas são eleitas por livre escolha dos membros do corpo para servir de maneiras especiais. Todas as decisões mais importantes, porém, tais como a contratação de um pastor e a compra ou venda de propriedades, são tomadas pela igreja como um todo. 

Entre as igrejas que adotam o governo Congregacional, estão os Batistas e os Congregacionais. Nesta forma de governo eclesiástico, a igreja é aquela “comunidade local, formada de crentes unidos para a adoração e obediência a Deus, no testemunho público e privado do Evangelho, constitui-se em uma Igreja completa e autônoma, não sujeita em termos de Igreja a qualquer outra entidade senão à sua própria assembleia, e assim formada é representação e sinal visível e localizado da realidade espiritual da Igreja de Cristo em toda a terra.” O sistema de governo Congregacional é aquele em que a Igreja se reúne em assembleias, para tratar de questões surgidas no seu dia-a-dia e tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos. O poder de mando de uma Igreja Congregacional reside em suas assembleias.

Forma de Governo na Igreja

Resolvi acrescentar este pequeno vídeo-aula das Formas de Governo, muito bem explicado, ministrado pelo Bp Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Bispo Walter McAlister, para maiores esclarecimentos.

 

wikipedia

http://www.cacp.org.br/tipos-de-governo-da-igreja/

(*)http://pt.slideshare.net/prmagdiel/uma-reflexo-bblica-sobre-os-sistemas-de-governo-e-ordenanas-da-igreja

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Uma resposta para Uma reflexão bíblica sobre os sistemas de governo e ordenanças da igreja

  1. AS ORDENANÇAS

    A ordenança é um rito simbólico universal e pessoal que aponta para as verdades centrais da fé cristã. São duas as ordenanças da Igreja. A primeira é o batismo em águas: “Portanto, ide ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19); e a segunda, a Ceia do Senhor: “Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Este é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Depois da ceia tomou do mesmo modo o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22:19, 20).

    Essas duas cerimônias ou ritos sagrados são conhecidos também como sacramentos por alguns grupos protestantes e também pelos católicos. Mas a Igreja Católica acrescentou mais cinco sacramentos, ao passo que os protestantes mantiveram os dois ritos bíblicos. No entanto, nem sempre os dois termos são intercambiáveis, pois isso depende da interpretação de cada grupo sobre o assunto. O termo sacramentum vem do latim que originalmente era para um juramento público de fidelidade do soldado romano, mas antes disso, era o nome dado ao depósito feito em lugar sagrado pelas partes envolvidas numa questão jurídica até o pronunciamento da sentença. Os pais latinos empregaram essa palavra para o vocábulo grego mysterion, “mistério, secreto”, que veio a significar ordenança ou rito sagrado. Para muitos, esses rituais transmitem graça espiritual ou salvífica levando a pessoa da morte espiritual para a vida. Para os grupos que pensam dessa maneira, ordenanças e sacramentos não são termos alternativos. A Assembléia de Deus não emprega o termo “sacramento”, mas a palavra “ordenança”, do latim ordo, fileira, ordem”, conforme o capítulo XI da sua Declaração de Fé.

    Essas ordenanças não produzem nenhuma mudança espiritual em quem se submete ao batismo e participa da ceia do Senhor. Mas isso não diminui a sua importância: antes, pelo contrário, elas são de grande valor. Esses rituais são ordem de nosso Senhor Jesus Cristo, pois ele mesmo pediu para ser batizado (Mt 3:14,15).E também se trata de um símbolo da nossa união (Rm 6:3_5). A ceia do Senhor é o memorial de sua morte em nosso lugar (1ª Co 11:23_26). Essas são razões pelas quais os crentes nunca tratam dessas coisas sagradas com leviandade. Assim, o batismo em águas e a ceia do Senhor foram instituídos por ordem de Jesus para que fossem observados na igreja, não porque transmitem algum poder místico ou graça salvífica, mas porque simbolizam o que já aconteceu na vida de quem aceitou a salvação de Cristo.

    A Razão da Nossa Fé – Assim cremos, assim vivemos – Livro de Apoio do 3ºT 2017 Adulto CPAD

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