BIOGRAFIA – Philipp Melanchton

       O quarto fundador, pilastra e máximo expoente da Reforma protestante (https://saldaterraeeluzdomundo.wordpress.com/2010/10/14/precursores-da-reforma/), é Philipp Mellanchton (1497-1560). Seu nome de família era Schwarzerd, mas, seguindo a moda dos humanistas, ele o modificou para Melanchton. Philipp nasceu em Bretten, no Palatinado (Alemanha); era filho de um armeiro e bisneto do grande humanista Reuchlin.

       Depois de ter estudado em Heidelberg e Tubinga, conseguiu, aos 17 anos, a láurea em filosofia. No ano seguinte obteve a cátedra de grego na Universidade de Wittenberg, tornando-se assim colega de Lutero. De grande cultura, de temperamento brando e reflexivo, de excepcional capacidade dialética, o jovem professor tornou-se logo um companheiro inseparável do monge agostiniano e a figura de maior destaque e importância, depois dele, da primeira geração de reformadores.

       Depois de ter aderido com íntima convicção às posições de Lutero, a sua importância cresceu tanto que ele veio a ser o autor do primeiro tratado de teologia luterana com os seus Loci communes rerum theologicarum seu hypotiposes theologicae (1520-1521).

       Em 1522 enfrentou em Wittenberg o radicalismo iconoclasta dos anabatistas e de alguns discípulos fanáticos de Lutero que estavam transformando a Reforma em uma completa subversão de todos os valores. Para deter sua ação desagregadora induziu Lutero a sair de seu refúgio de Wartburg para intervir com sua autoridade e com sua energia.

       Em seguida Melanchton dedicou-se à organização da Igreja luterana, reforma dos estudos, organização da igreja luterana, à reforma dos estudos e à reorganização de muitas escolas e universidades; deu normas para evitar as consequências laxistas do princípio da sola fides (só a fé), insistindo na prática das boas obras enquanto ordenadas por Deus, embora não tenham valor salvífico. Esta tendência conservadora pode ser notada de modo bastante significativo também na Confessio augustana (Confissão de Augsburgo, 1530), redigida por ele a pedido do príncipe eleitor da Saxônia. Para a Dieta de Augsburgo, na qual os pontos de divergência com o catolicismo são silenciados ou dissimulados, e a reforma é apresentada como de natureza essencialmente prática, enquanto eliminação de abusos que se tinham infiltrado na Igreja católica, especialmente por culpa da Escolástica. O mesmo espírito de conciliação guiará Melenchton em todo o processo de separação entre a evangélica e a Igreja de Roma.

       Entrementes várias e não pequenas divergências surgiram entre ele e Lutero; mas isso não o impediu de permanecer ao lado do pai da Reforma até seu fim (1546). Não lhe coube, todavia, a herança espiritual de chefe da Reforma por causa de seu moderantismo, que o expunha a contínuos ataques e críticas: de um lado era acusado de criptocalvinista (por causa de sua negação da presença real), por outro, de papista (por causa de sua doutrina sobre a justificação e o livre-arbítrio).

       A sua doutrina, como a de Lutero, tem como princípio material a justificação sem as obras e como principio formal a sola scriptura (só a Escritura). Ela é principalmente exegese da Bíblia, uma exegese eminentemente literal (em oposição à exegese alegórica, cara aos Padres da Igreja e aos escolásticos).

       O distanciamento de Lutero prende-se a interpretação do princípio da justificação sem as obras. Melanchton recusa-se a interpretá-lo na forma de radical determinismo divino em relação à salvação e afirma certa capacidade do livre-arbítrio para fazer o bem. A salvação do homem exige a sua cooperação, embora não se possa propriamente falar de méritos. As boas obras são necessárias para a vida eterna como consequência natural da conversão pecador.

       Apesar das resistências iniciais, foi grande a influência de Melanchton na teologia protestante sucessiva, especialmente durante o período da Ortodoxia (o que vem logo depois dos fundadores do protestantismo). Pode-se mesmo dizer que “é Melanchton quem põe as bases da ortodoxia luterana como uma exigência da igreja, com referência as profissões de fé, a ser considerada como genuína formulação do pensamento da Sagrada Escritura, norma e limite do ensinamento. Assim, no quadro da reforma luterana, Melanchton impôs a sua personalidade como a do sistemático ao lado da figura de Lutero, que representa nela a do despertador”.

Fontes

Diversos

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